Bebeto vê Brasil favorito na Copa e exalta papel de Neymar na seleção – Jornal Correio

Tetracampeão mundial de futebol pela seleção brasileira, Bebeto esteve em Salvador na noite de segunda (1) para o lançamento do projeto ‘Memórias dos Nossos Craques’, que aconteceu no Salvador Shopping e reunirá durante o mês de agosto ex-jogadores baianos que brilharam na seleção. Pouco antes do começo do evento, que contou com a presença do jornalista Mauro Beting, curador da exposição, o ex-atacante conversou com exclusividade com o CORREIO.

“Acho que foi uma ideia muito legal, é uma homenagem mais do que justa. Homenagear todos os jogadores baianos que fizeram história pela seleção brasileira, que jogaram pelo Brasil. E eu não poderia faltar, não podia deixar de vim aqui, né? Minha terra, minha casa e eu acho que estão todos de parabéns pela iniciativa. Muito feliz de estar representando a Bahia, é sempre um prazer e uma alegria muito grande”, ressaltou Bebeto.

Durante o papo, o craque, que vestiu a camisa do Vitória no fim da década de 1990, falou sobre suas expectativas para a Copa do Mundo do Catar, que começa em novembro, e como ele enxerga seleção comandada por Tite na busca pelo hexa.

“Eu acho que a gente tem grandes jogadores, nós já temos uma base formada. E eu queria falar que ninguém ganha nada sozinho. Eu acho que o Tite sabe, e alguns jogadores que vão estar lá e são experientes que já jogaram Copa do Mundo, sabem que isso é importante”, disse.

Bebeto também falou sobre o papel de Neymar como figura central da seleção durante o campeonato e opinou qual seria o seu ‘top 5’ para vencer a Copa. O papo ainda abordou o atual cenário do futebol brasileiro e os altos investimentos nas contratações por clubes na Série A.

Confira na íntegra a entrevista com o tetracampeão mundial Bebeto

CORREIO: Mais uma vez, nessa última janela de transferências, vimos alguns clubes brasileiros investindo pesado e trazendo nomes importantes do mercado sul-americano, da Europa e jogadores consagrados lá fora. Como você avalia todo esse movimento de mercado que está acontecendo no futebol do país e o que você destaca de melhor?

Bebeto: Eu acho legal. Antigamente a gente saía do Brasil para poder fazer um contrato bom, né? Dar uma independência financeira à família. Todo mundo almejava ter que ir para a Europa, até porque para ganhar dinheiro mesmo não tem jeito, né? A gente ia para lá pra isso, pra fazer independência financeira. E você realmente ganhava dinheiro lá fora na época. Já hoje o Flamengo paga muito bem, Palmeiras também e outras equipes que têm feito um trabalho realmente muito importante. Eu acho que é bom pro Brasil, isso é bom pro futebol brasileiro. E olha quantos estrangeiros estão jogando aqui, eu acho que nunca tivemos tantos nomes de peso. Sinal que o negócio está bom aqui, né? É sinal que é positivo pro futebol brasileiro esse intercâmbio. E acho o mesmo para os treinadores.

CORREIO: Esse movimento já aconteceu em outras épocas, como a que você veio para o Vitória. Qual o principal diferencial que você vê nesses investimentos?

Bebeto: Esse movimento começou comigo lá atrás, né? Com o banco Excel. E isso foi muito importante. Hoje o Palmeiras tem a Crefisa fazendo um trabalho importante, e os resultados [os títulos do Palmeiras] não têm como ser outro. Quando você tem pessoas para fazerem essa gestão não tem como dar errado. O Palmeiras e o Flamengo tem centros de treinamentos fantásticos. Fiquei impressionado com a estrutura do Flamengo, está tudo modernizando. Não deve nada a clube europeu. E o resultado vem dentro de campo, não tem jeito. O tempo todo chegando nas finais, tendo Libertadores. A gente fica feliz com esse resultado. Quando você compara aquela época com essa época agora, os investimentos hoje são muito maiores. Não tenha dúvida disso. E hoje os clubes estão virando clube-empresa. Não tem outro caminho.

CORREIO: Eu queria puxar esse assunto de SAF também pela atual situação do Bahia. O mês de agosto pode ser decisivo para o clube oficializar a SAF. O que você acha sobre esse movimento no Bahia e no futebol brasileiro? Acha que é positiva a chegada desses investimentos?

Bebeto: Claro que é positivo. Acho que não temos outra saída, tá? Um dia eu estava conversando até com o presidente do Vasco, Jorge Salgado, e eu falei sobre isso. Não tem outra saída. O clube vai ter uma tranquilidade maior para pagar jogadores e trabalhadores em dia. O clube tem dívidas para pagar, tem conta de luz, tem água para pagar. E o jogador também tem que receber em dia, cara. Não adianta o clube contratar jogadores e não pagar os jogadores. Uma outra coisa também que eu acho positiva e fundamental é a base. Poder fazer um investimento na base. Porque a base com certeza é o que vai dar lucro para a equipe com futuras vendas e tudo mais. Não tem outro caminho. O Vasco está se estruturando, o Botafogo agora com o [John] Textor está se recuperando… e tem que usar isso ao seu favor com certeza.

CORREIO: Sobre a Copa do Mundo, como você avalia a seleção brasileira e o trabalho de Tite? Acha que o Brasil chega forte para a disputa em novembro?

Bebeto: Eu fui convidado para ser chefe da delegação em Singapura* e eu fiquei quase quinze dias com o Tite. Vi o trabalho que estava sendo feito. E esse trabalho, quem sabe, não vai dar resultado agora nesta copa, né? Eu acho que a gente tem grandes jogadores, nós já temos uma base formada. E eu queria falar que ninguém ganha nada sozinho. Eu acho que o Tite sabe, e alguns jogadores que vão estar lá e são experientes que já jogaram Copa do Mundo, sabem que isso é importante. Você sabe o que é uma Copa do Mundo. Acho que vamos muito fortes.

*Bebeto esteve como chefe de delegação nos amistosos do Brasil em 2019,contra Senegal e Nigéria.

CORREIO: Dá pra dizer que a gente está no top 5? Quem você colocaria como favoritas?

“Ah, rapaz. A gente está no top 5. Com certeza. E eu colocaria a atual campeã França, Alemanha, Argentina, que são seleções que fazem a diferença, que tem tradição, e outra que eu vou colocar aí é… a Inglaterra”, analisa Bebeto.

CORREIO: Em ano de Copa essa discussão comparando as seleções sempre volta à tona. Muito se fala sobre a seleção de 94, onde você estava, e de 2002. O que você acha sobre essa comparação de elencos com a atual seleção?

Bebeto: Seguinte, eu acho que a gente não pode comparar nunca uma seleção com a outra. Porque a de 94 já é campeã mundial. Porque é muito difícil ser campeão mundial. Então essa seleção aí está em formação. É difícil comparar uma que se formou agora, que está caminhando para a Copa.

CORREIO: E Neymar sendo essa referência técnica do time, acha que depois de duas Copas do Mundo ele chega melhor como a principal figura do time?

Bebeto: Sobre o Neymar, não acho que devemos colocar toda a pressão em cima do Neymar. Porque ninguém ganha nada sozinho. É um jogador diferenciado, todo mundo sabe disso, mas todas as vezes que se coloca pressão tem que para todos [os jogadores]. A responsabilidade não é só do Neymar, é de todos. Começar pelo goleiro e vai até ao atacante. Então eu acho que a gente vai muito forte e o Neymar também. Eu acho que ele já ter jogado duas Copas do Mundo antes, saber da dificuldade que é jogar uma Copa, ajuda. A gente vai forte, mas com um grupo todo forte e não um só jogador.

CORREIO: E mesmo com uma última temporada tecnicamente abaixo, recebendo críticas, ele chega na Copa do Mundo ainda no topo dos principais jogadores?

Bebeto: Claro que está, o Neymar sempre esteve. A qualidade dele é muito grande. Ele é diferente, mas precisa da ajuda de todos, né? Não vai ganhar nada sozinho.

CORREIO: E sobre os principais jogadores do mundo, acha que ainda polariza muito em Messi e Cristiano Ronaldo? Ou tem algum outro nome que já pede passagem?

Bebeto: Eu só vou falar uma coisa: Mbappé com 21 anos já é campeão mundial. Já estava pronto. Ele já faz parte de um grupo vencedor que ganhou a Copa do Mundo e são poucos os que conseguiram isso. Dois jogadores fantásticos, Messi e Cristiano Ronaldo, mas até agora não ganharam uma Copa do Mundo. Mas o Messi vem forte aí, porque a Argentina montou um time muito forte.

CORREIO: Esse mês de agosto também é muito representativo para o time do Vitória, por conta da reta final da primeira fase da série C. O clube está brigando pelo G8, acredito que você esteja acompanhando, mas como você avalia a situação do clube atualmente?

Bebeto: Eu acho que isso é gestão, né? Não adianta cara, o Vitória já teve quantos treinadores neste ano? Sei lá, cara. É difícil você formar um time forte e é difícil você manter. Tem que deixar o treinador trabalhar, porque senão fica difícil. Não tem como realizar um trabalho de dois meses, três meses e depois o cara já é mandado embora. Tu vai fazer o que, cara? Isso é gestão.

CORREIO: Mas acha que o Vitória tem condições de subir? Ou, caso fique na Série C, se estruturar para continuar brigando ano que vem?

Bebeto: Ó, tem que se estruturar, a verdade é essa. Tem que se estruturar, senão fica difícil. Nós empatamos com o ABC jogando em casa. Não pode empatar com o ABC em casa, com todo o respeito ao ABC. Acho que o Vitória tem uma história muito grande e, ainda mais jogando em casa, tem que atropelar, tem que ganhar, entendeu? Quando você passa a depender de outros resultados é difícil, é difícil. Perfeito. Agora é se estruturar e pronto. O Vitória tem que voltar ao lugar de onde não deveria ter saído, que é a 1ª divisão. Agora tem que subir pouco a pouco.

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