Todas as Letras: Poesia de Gilberto Gil ganha nova compilação – Jornal Correio

Chamar compositores de “poetas” virou lugar-comum e, às vezes, abusamos disso. O título deve ser reservado àqueles que realmente o merecem e um deles é, sem dúvida, Gilberto Gil, que completou 80 anos em 26 de junho. É um dos raros talentos que consegue ser excepcional como letrista, melodista e também como instrumentista, cultuado pelos músicos por sua maneira original de tocar violão.

Para festejar os 80 anos de Gil, a Companhia das Letras está relançando uma edição ampliada do livro Todas as Letras, que reúne os textos do compositor-poeta baiano. Organizada pelo jornalista e letrista Carlos Rennó, a publicação tem aproximadamente 550 composições, incluindo algumas que nunca foram gravadas, do início da carreira do tropicalista como autor. Essas, que Rennó apresenta como “inéditas”, são aproximadamente uma centena e foram resgatadas através da memória de Gil ou em blocos de anotações do artista. Há também letras de parceiros que foram musicadas por Gil, como Soy Loco Por Ti, América, com texto de Capinan.

E, se você é fã de Gil e já tem alguma das duas edições anteriores, invista estes R$ 200 nesta mais recente, porque há importantes novidades, a começar, claro, pelas letras mais recentes, como a de Refloresta, que faz referência aos clássicos Refazenda e Refavela. Refloresta foi composta no ano passado e gravada como single a pedido do fotógrafo Sebastião Salgado, que tem um projeto de reflorestamento.

Ilustração de Alberto Pitta, inspirada em Buda Nagô

Outro conteúdo inédito são as ilustrações de Alberto Pitta, diretor do bloco Cortejo Afro. Pitta criou estampas inspiradas em 24 canções de Gil, como Buda Nagô e Aquele Abraço. Há a opção da versão digital do livro, por R$ 50, mas aí as ilustrações coloridas perdem boa parte do encanto.

Uma das melhores partes do livro são os comentários de Gil a respeito das composições, que rendem histórias saborosas dos bastidores e sobre a relação com os parceiros. Este jornalista ficou supreso ao saber, por exemplo, que a letra de Cálice, parceria com Chico Buarque, inicialmente não era um trocadilho com “cale-se” nem seria uma canção de protesto contra a censura imposta pelo regime militar.

Gil diz que começou a composição pelo refrão e, só quando o mostrou a Chico Buarque, foi advertido pelo colega, que chamou a atenção para a ambiguidade Cálice/Cale-se. Aí, sim, a música ganhou uma conotação política em outros versos.

Os bastidores de Aquele Abraço também emocionam. Gil revela que começou a compor a canção quando já estava tomando providências para seu exílio e foi à casa da mãe de Gal Costa, onde começou a conceber a música. Ele havia saído da prisão fazia pouco tempo e os guardas o cumprimentavam dizendo “Aquele abraço, Gil!”. Diz que a canção era uma catarse sobre o momento que vivia.

Entre as canções menos conhecidas, uma das mais curiosas é Pode, Waldir?, que Gil compôs para Waldir Pires, então líder do PMDB baiano. O músico queria se candidatar à prefeitura de Salvador, mas o então governador era contra. “O indicado deve ser do tipo moderado/ Com um mofo do passado”, protestava o músico, que, mais tarde, seria um elogiado ministro da Cultura.

Música e cultura deste brasilzão Aos 85 anos, Rolando Boldrin continua esbanjando simpatia no ótimo programa ‘Sr. Brasil’, exibido às 9h, na TV Cultura, aos domingos. Estreia neste fim de semana a nova temporada, que terá edições temáticas, relacionadas aos cenários naturais brasileiros. O primeiro da série será a Amazônia, seguido por Vale do Jequitinhonha. A fórmula da atração, encantadora, é a mesma de sempre, com apresentações musicais e textos de Boldrin, que, além de ótimo contador de causos, é autor da lindíssima canção Vide Vida Marvada.

Walter da Silveira A Sala Walter da Silveira, nos Barris, está sediando, com entrada gratuita, a Grande Mostra do Cinema Brasileiro, com filmes que se destacaram na última edição do troféu. Neste sábado, às 14h, será exibido o documentário ‘Alvorada’, que mostra os últimos meses de Dilma Rousseff na Presidência. A direção é de Anna Muylaert e Lô Politi. No domingo, no mesmo horário, é a vez de outro doc, ‘Chacrinha – Eu Vim Para Confundir e Não Para Explicar’, sobre a vida de um dos maiores apresentadores da TV brasileira. A direção é de Claudio Manoel e Micael Langer.

Ação e suspense na netflix ‘Agente Oculto’ pode até não se tornar um sucesso de audiência, mas o longa com Ryan Gosling já chega à Netflix quebrando um recorde: com uma produção de 200 milhões de dólares, é o filme mais caro da história da plataforma. Nesta mistura de ação e suspense, o agente mais habilidoso da CIA descobre os segredos obscuros da agência e um ex-colega coloca uma recompensa por sua cabeça. O elenco tem ainda Chris Evans, Ana de Armas e Billy Bob Thornton. O filme tem muita correria, adrenalina e uma participação especial do baiano Wagner Moura.

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